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TAROT – AS CARTAS DOS PAJENS – TARÔ

Nesta postagem você vai aprender ainda mais sobre o significado das cartas dos Pajens. Compreenderá suas descrições e características através de exemplos da cultura pop e como se relacionam com os quatro elementos e com a Kabbalah.

No tarot é comum a carta do Pajem receber outras denominações, como, por exemplo, Valete ou Princesa. Os termos empregados variam de acordo com autor do baralho.

As quatro cartas dos Pajens representam arquétipos relacionados à inocência humana; retratam aspectos juvenis e imaturos da nossa consciência.

Na tradição cabalística são cartas diretamente ligadas à energia de Malkuth; portanto, são figuras alusivas a um estilo de vida mundano e ainda incompleto. As cartas representam um estado de consciência primário, onde as verdadeiras vontades e aptidões ainda não desabrocharam. Simbolizam o ponto de partida da jornada do herói. É a energia do aprendiz e do aluno que pretende caminhar pela senda da iniciação.

Os Pajens são figuras que simbolizam nossas incapacidades e inexperiências em realizar, sentir, racionalizar e manifestar. Cada naipe representa um destes aspectos e está respectivamente ligado a um elemento (fogo, água, ar e terra).

(Leia também os posts sobre cartas dos Reis, Rainhas e Cavaleiros)

Quando uma carta de Pajem sai em um jogo de tarot, ela representa uma pessoa (homem ou mulher) relacionada à pergunta ou indagação. O indivíduo em questão possui as energias do pajem específico.

[PAJEM DE PAUS] (FOGO)- Uma pessoa com muito potencial, mas que ainda não desenvolveu suas reais competências. Simboliza alguém incapaz de realizar seus desejos pessoais por se encontrar preso a uma realidade que não condiz com a sua Verdadeira Vontade.

Representa a imaturidade e o despreparo perante as habilidades natas. Configura o indivíduo com aptidão para se tornar um guerreiro, um herói e um mestre; mas que ainda se encontra incapaz. É alguém que necessita de treinamento e aprendizado, lhe faltam confiança e convicção para eclodir seus talentos.

Possui uma chama em seu coração, mas ainda carece de segurança e crença para fazê-la arder como uma fogueira.

O pajem de Paus trabalha demais em projetos que não o interessam e se sente sobrecarregado com atribuições inúteis. Tende a contar mentiras para si e a criar desculpas para não realizar suas reais vontades. Possui uma inclinação a atribuir suas falhas e procrastinações a terceiros.

Acredita que o mundo é muito mais do que sua vida cotidiana e profana. Possui um desejo intrínseco por se aventurar por caminhos mais significativos, mas se encontra confinado a uma realidade diferente e frustrante.

luke skywalker

O início da trajetória de Luke Skywalker em Guerra nas Estrelas é um ótimo exemplo para ilustrar esta carta. Luke era um simples fazendeiro no planeta Tatooine (Malkuth). Um rapaz sedento por se tornar um piloto e explorar a galáxia e suas potencialidades. Luke se sentia preso ao seu destino agrícola e incompleto. O jovem Skywalker possuía todas as habilidades natas, para, assim como seu pai, se tornar um poderoso Jedi; entretanto, ele desconhecia seus poderes e sua conexão com a Força. O contato com Obi Wan Kenobi abre um novo e inexplorado universo; representa um chamado que, à princípio, Luke nega devido ao seu medo e imaturidade.

Harry Potter possui uma narrativa semelhante. O garoto possuía uma vida medíocre e infeliz morando na casa de seus tios trouxas (Malkuth). Desconhecia seu sangue bruxo e suas habilidades mágicas. Ao receber a carta de Hogwarts é conduzido por Hagrid ao mundo fantástico que o aguardava desde o nascimento. Harry encara um ambiente exótico e totalmente desconhecido, precisa aprender e conhecer todas as características do universo bruxo até se tornar o senhor de seu próprio destino.

Luke e Harry Potter, ao longo de suas trajetórias, passam por provas e desafios que testam suas convicções, habilidades e aprendizados. Ambos precisam despertar coragem e força de vontade para realizarem suas vontades e aptidões.

[PAJEM DE COPAS] (ÁGUA) – Uma figura idealista e pura de coração. Transborda ingenuidade amorosa e emocional. Uma pessoa que detêm uma profunda carência e uma intensa dependência afetiva. Precisa de amparo e de conforto de terceiros; deposita nos outros a responsabilidade por suas fraquezas sentimentais.

Carece de compreensão de si mesmo e de seus sentimentos, lhe falta entendimento do seu próprio inconsciente e de seus desejos mais profundos. Possui dificuldades em lidar com suas relações afetivas e familiares. Desconhece a sua verdadeira busca espiritual e sentimental.

Configura a imaturidade e o despreparo juvenil perante os desafios emocionais da vida.

Simboliza a inocência e a pureza infantil. Uma figura idealista e sonhadora que vive imersa em suas fantasias pessoais repletas de ilusões e utopias. Um ótimo arquétipo para exemplificar essa carta é a princesa das fábulas infantis clássicas. Representa alguém que literalmente acredita em conto de fadas e príncipes encantados. Configura a donzela presa na torre do castelo (Malkuth), à espera da libertação. Acredita que seus problemas pessoais serão resolvidos por um salvador, pois ainda desconhece sua própria força emocional e suas habilidades para lidar com os seus próprios sentimentos.

O Pajem de Copas precisa compreender e explorar seu inconsciente, reconhecer e trabalhar suas limitações. Necessita buscar sua independência sentimental e sua maturidade emocional. Um processo que perpassa por uma jornada aos confins de sua própria mente e de seus mais profundos sentimentos.

O conto da Bela e a Fera é uma narrativa que ilustra muito bem o amadurecimento pelo qual o pajem de copas precisa passar. Bela é ingênua, pura e repleta de sonhos. Quando aprisionada no castelo de uma Fera, confronta sua imaturidade emocional ao se apaixonar pela besta. Aprende com o convívio a enxergar a beleza por trás das aparências e das utopias. Acaba por encontrar em si a maturidade necessária para lidar com suas inexperiências afetivas e com a paixão que a Fera lhe desperta. A figura monstruosa pela qual ela se apaixona simboliza seus mais profundos medos e inseguranças, algo que Bela compreende e aprende a controlar.

[PAJEM DE ESPADAS] (AR) – Representa a imaturidade mental perante às adversidades e problemas da vida. Uma figura que precisa aprimorar suas capacidades intelectuais, comunicativas e inovadoras. Possui dificuldades em argumentar e se fazer entender; ignora os meandros cognitivos pelos quais a solução é encontrada. Precisa aprender os caminhos corretos para trazer soluções perspicazes para as dificuldades e obstáculos.

Usa suas habilidades comunicativas e mentais de forma equivocada. Tende a falar mais do que devia, ao invés de ser assertivo e ponderado. Deseja quebrar paradigmas, mas ainda não sabe como fazê-lo.

O Pajem de Espadas não deve tomar decisões ou agir, pois tende a trocar os pés pelas mãos; ainda lhe faltam experiência e know-how. Corre o risco de arruinar seus projetos e esforços pessoais devido a sua imaturidade cognitiva.

Necessita de reconhecer suas limitações, de estudar e aprender antes de entrar em um confronto intelectual ou de optar por uma escolha.

Demanda de um tempo de reflexão e de repouso para aumentar seus conhecimentos e aptidões mentais, carece de trabalhar sua retórica e dialética. Requer o aprimoramento de suas habilidades para controlar sua mente e explanar melhor suas ideias e ponderações. É uma figura ainda adormecida que não consegue compreender a complexidade do universo das ideias.

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A trajetória da personagem Aang, na série de animação Avatar, é um ótimo exemplo do processo de amadurecimento do Pajem de Espadas. O garoto é a atual encarnação do Avatar – o predestinado a manter a harmonia em seu mundo . Esse destino lhe é revelado prematuramente quando ele ainda era uma criança. O jovem, ainda sem maturidade, não possuía preparo mental, nem o controle cognitivo para lidar com seus poderes. Assustado com a responsabilidade, o menino opta por ignorar seu destino e foge apavorado. Nesta fuga, ele é pego por uma gigantesca tempestade e fica congelado por cem anos em um iceberg. Ao acordar de seu sono, se depara com um mundo caótico devido à sua ausência.

Após o despertar, Aang assume seu dever, desenvolve e treina suas habilidades mentais para dominar os quatro elementos e controlar o Estado Avatar. O garoto, neste progresso, passa a ser um líder comunicativo e um mediador de conflitos, cuja missão é manter a paz e restituir o equilíbrio espiritual do planeta.

[PAJEM DE OUROS] (TERRA) – Simboliza a energia do jovem aprendiz, daquele que precisa desenvolver habilidades e perícias concretas. Possui a necessidade prática de colocar a mão na massa e de se capacitar ativamente.

O Pajem de Ouros ainda é inábil; não consegue manifestar e arquitetar suas vontades no mundo material. Detêm potencial, contudo lhe falta o tempo e a dedicação necessárias para desenvolver os seus talentos. Precisa aprender e assimilar novas competências e habilidades técnicas, deve aprimorar proficiências que demandam treinamento, repetição e aperfeiçoamento.

Simboliza alguém que precisa treinar para aprender a construir, materializar, organizar e sistematizar.

Representa, por exemplo, um aprendiz de artesão, um indivíduo com despreparo técnico e inexperiência prática que precisa desempenhar suas habilidades para chegar aos seus objetivos.

Configura o estagiário que ainda não compreende o funcionamento empresarial, ou o soldado raso que ocupa o nível hierárquico mais baixo em uma organização militar. Ambos precisam galgar muitas etapas para subir na carreira. Através do trabalho árduo e da dedicação constante, visam alcançar e conquistar suas metas.

Mathias

No filme Tropa de Elite, as personagens Neto e Matias representam essa energia do Pajem de Ouros. Na narrativa, ambos são aspirantes ao cargo de Capitão do Batalhão de Operações Especiais e precisam passar por um intenso treinamento e por provas que os qualifiquem para substituir o Capitão Nascimento.

Espero que o texto tenha te auxiliado na compreensão das cartas dos Pajens; para adquirir ainda mais conhecimentos acesse os posts sobre os Reis, as Rainhas e Cavaleiros no Tarot.

Leia também nossos textos sobre Astrologia e aprenda sobre os signos de uma maneira inovadora e diferenciada.

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7 comentários em “TAROT – AS CARTAS DOS PAJENS – TARÔ

  1. Muito bom o texto, conseguiu nos trazer exemplos contemporâneos!
    Parabéns!

    1. Obrigado Rosana! Felizes em saber que você gostou dos nossos exemplos.

      Valeu Rodrigo Basso ! Muito obrigado!

      As narrativas modernas e também as clássicas utilizam muito deste arquétipo do Pajem para demonstrar o início do treinamento e do desenvolvimento dos protagonistas. Essa percepção ajuda muito na compreensão das cartas.

  2. Um dos melhores textos sobre o assunto que eu ja li!

    1. Muito obrigado Frater Mithras! Felizes em saber que você gostou tanto. Recomende aos amigos!

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